AO CENTENÁRIO DE VINÍCIUS DE MORAES
Imagens: Poesias, cartas, entrevistas, críticas, artigos, cenário, roteiro, letra de música, outros registros de Vinicius e muito mais. Muito interessante, vale a pena conferir, visite o site oficial:
Soneto de separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Oceano Atlântico, a bordo do Highland Patriot,
a caminho da Inglaterra, 09.1938
Soneto de fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive,
Quem sabe a solidão, fim de quem amaE das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Oceano Atlântico, a bordo do Highland Patriot,
a caminho da Inglaterra, 09.1938
Soneto de fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive,
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
Estoril - Portugal,
10.1939
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Rio de Janeiro, 1951
Fonte: sopadepoesia.blogspot.com/...09/08/três-sonetos-de...
Vinícius de Moraes
Na tempestuosa madrugada de 19 de outubro de 1913, nascia o garoto Vinitius.
A grafia está correta. Seu pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, um apaixonado
pelo latim, dera a ele este nome. Naquela noite nascia na Gávea, o futuro garoto
de Ipanema. Escreveu seu primeiro poema de amor aos 9 anos, inspirado em uma
colega de escola que reencontraria 56 anos depois. Seus amores eram sua
inspiração. Oficialmente, teve nove mulheres: Tati (com quem teve Susana e
Pedro), Regina Pederneiras, Lila Bôscoli (mãe de Georgina e Luciana), Maria
Lúcia Proença (seu amor maior, musa inspiradora de Para viver um grande amor),
Nelita, Cristina Gurjão (mãe de Maria), a baiana Gesse Gessy, a argentina Marta
Ibañez e, por último, Gilda Mattoso. Mulherengo? Não, “mulherólogo”, como ele
costumava se definir.
Tati, a primeira, única com quem casou no civil, é a inspiradora dos famosos
versos “Que não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja imortal enquanto
dure”. Deixou-a para viver com Regina Pederneiras. O romance durou um ano,
depois do que ele voltou com Tati para deixá-la, definitivamente, em 1956 e
casar com Lila, então com 19 anos, irmã de Ronaldo Bôscoli. Foi nessa época que
o poeta conheceu Tom Jobim e o convidou para musicar sua peça Orfeu da
Conceição. Desta parceria, surgiriam músicas símbolos da Bossa Nova como Chega
de Saudade e Garota de Ipanema, feita para Helô Pinheiro, então uma garotinha de
15 anos que passava sempre pelo bar onde os dois bebiam. No ano seguinte, 1957,
se casaria com Lucinha Proença depois de oito meses de amor escondido, afinal,
ambos eram casados. A paixão durou até 1963. Foi pelos jornais que Lucinha, já
separada, soube da ida de Vinícius para a Europa “com seu novo amor”, Nelita, 30
anos mais jovem. Minha namorada, outro grande sucesso, foi inspirado nela.
Em 1966, seria a vez de Cristina Gurjão, 26 anos mais jovem e com três
filhos. Com Vinícius teve mais uma, Maria, em 1968. Quando estava no quinto mês
de gravidez, Vinícius conheceu aquela viria a ser sua próxima esposa, Gesse
Gessy. No segundo semestre de 69 começa sua parceria com Toquinho. No dia de seu
aniversário de 57 anos, em 1970, em sua casa em Itapuã, Vinícius transformaria
Gesse Gessy, então com 31 anos, em sua sétima esposa. Gesse seria diferente das
outras e comandaria a vida de Vinícius com bem entendesse. Em 1975, já separado
dela, ele se declara apaixonado por Marta Ibañez, uma poeta argentina. No ano
seguinte se casariam. Ele tinha quase 40 anos mais que ela.
Em 1972, a estudante de Letras Gilda Mattoso conseguiu um autógrafo do astro
Vinícius após um show para estudantes da UFF, em Niterói (RJ). Quatro anos
depois o amor se concretizaria. O poeta , já sessentão; ela, com 23 anos.
Na noite de 8 de julho de 1980, acertando detalhes das canções do LP Arca de
Noé com Toquinho, Vinícius, já cansado, disse que iria tomar um banho. Toquinho
foi dormir. Pela manhã foi acordado pela empregada que encontrara Vinícius na
banheira com dificuldades para respirar. Toquinho correu para o banheiro,
seguido de Gilda. Não houve tempo para socorrê-lo. Vinícius de Moraes morria na
manhã de 9 de julho. No enterro, abraçada a Elis Regina, Gilda lembrava da noite
anterior, quando em uma entrevista, perguntaram ao poeta: “Você está com medo da
morte?”. E Vinícius, placidamente, respondeu: “Não, meu filho. Eu não estou com
medo da morte. Estou é com saudades da vida”.
Fonte: www.memoriaviva.com.brVinícius de Moraes
Bom dia!
ResponderExcluirMuito profícuo seu blog, estão de parabéns todos os integrantes que participaram para que atingisse o objetivo.
Sei que muitas coisas poderão ser mudadas ainda por isso gostaria de sugerir uma opção par os seguidores do blog.
PS Vou aproveitar algumas ideias para finalizar o nosso!
Obrigada pelo elogio, todos nós aprendemos muito com esse trabalho
ResponderExcluirRita F. Fonseca
Percebemos que a vida do grande e consagrado Vinícius de Moraes foi de muita boemia,de muitos amores. Amores que marcaram sua trajetória de vida, amores intensos que conhecemos por meio de suas músicas, poesias.
ResponderExcluirSerá que há amores como o de Vinícius de Moraes, nos dias de hoje?